Hoje, 27 de maio, recebi a notícia do falecimento do arquiteto Ítalo Campofiorito, imediatamente vieram dois sentimentos simultâneos: tristeza, pela partida de uma pessoa que dedicou a vida a um ideal de um mundo melhor, mais justo, de um país soberano onde a cultura é estimulada e o patrimônio tratado com respeito e preservado. E a lembrança de um tempo que nossa Niterói deu uma guinada brusca sob a liderança de Jorge Roberto Silveira, com a cultura desempenhando uma função importante. Foi nessa época que conheci Ítalo Campofiorito por intermédio do meu mestre João Sampaio, que como ele, fez parte da equipe que mudou a história da cidade.

Ítalo era um ícone, com sua vasta experiência como arquiteto da equipe de Oscar Niemeyer na construção de Brasília e sua importante passagem pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. Foi quem juntou as duas pontas que levaram a concepção   e posteriormente a construção do MAC, quando soube da dificuldade de João Satamini de ter um local para guardar seu acervo de arte contemporânea e de sua relação com Oscar Niemeyer, autor do projeto do museu que virou símbolo de nossa cidade.

A última vez que nos encontramos foi durante minha gestão à frente da SEDRAP, quando pedimos sua colaboração para elaborarmos um projeto de restauração do prédio da Rodoviária Roberto Silveira, sede da secretaria, um exemplar importante da arquitetura moderna, tombado pelo Patrimônio  Municipal, em sua gestão como secretário municipal de cultura.

Ele partiu em um momento triste para a cultura nacional, quando órgãos de fomento e proteção são desmantelados e sofrem todo tipo de ataque, buscando se criar um sentimento no povo que só servem para gastar dinheiro e atrapalhar o “progresso”. Tenho fé que o exemplo e o legado do trabalho deixado por Ítalo Campofiorito serão, num futuro próximo, uma das boas  referências para a cultura de nosso pais.

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